Hoje a homenageada do Voz é Arabela Batista de Araújo. Natural de Sumé, no Cariri paraibano, Arabela Batista de Araújo nasceu filha de agricultores e foi a única da família a chegar à graduação. Desde cedo, aprendeu que a vida se constrói com trabalho, dignidade e persistência. Ainda adolescente, deixou o Cariri para estudar no Brejo paraibano. Em Bananeiras–PB, cursou o Ensino Médio integrado ao Técnico em Agropecuária no Colégio Agrícola Vital de Negreiros, onde também militou nos grêmios estudantis. Ali foram dados os primeiros passos de uma jornada que exigiria coragem e muita determinação.
A caminhada não foi fácil. Para seguir em frente, Arabela trabalhou em diferentes atividades: vendeu dindin, trabalhou em casa de apostas de futebol, foi frentista em posto de gasolina, costureira e vendedora. Cada trabalho representou luta, aprendizado e resistência. Mãe solo, precisou ser muitas versões de si mesma ao mesmo tempo: mãe, trabalhadora, estudante e sonhadora. Entre tantos desafios, encontrou na educação o caminho para transformar sua própria história.
Graduou-se em Psicologia e direcionou sua atuação para a Educação Especial Inclusiva e para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), dedicando sua trajetória à inclusão e aos direitos das pessoas com deficiência e da comunidade surda. Há cerca de 12 anos, chegou a Guarabira, cidade onde fortaleceu sua missão. Hoje é coordenadora do Serviço de Referência de Inclusão da Pessoa com Deficiência (SERI), polo da FUNAD, desenvolvendo ações voltadas à acessibilidade, inclusão e garantia de direitos.
Entre suas iniciativas está o projeto Horta Inclusiva: Sementes da Inclusão, que leva crianças com deficiência a experiências educativas em ambientes abertos, mostrando que aprender vai muito além das paredes da sala de aula. Mas sua história vai além de cargos e projetos. É uma história de resistência, de sonhos e de fé no poder da transformação. Arabela é mãe, filha, poetisa, uma mulher de muitas versões.
A trajetória de Arabela é, hoje, uma representação da força da mulher: sua luta é mais uma prova de que a educação consegue transformar vidas e inspirar pessoas.